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Inteligência artificial e fraude jurídica: o que mudou

Equipe SeloAdv · 27 de março de 2026 · 4 min de leitura

Um cenário em transformação

A inteligência artificial trouxe avanços significativos para diversas áreas. No entanto, essas mesmas ferramentas também passaram a ser utilizadas por pessoas mal-intencionadas para sofisticar abordagens fraudulentas. No contexto jurídico, isso representa um desafio adicional para quem precisa verificar a autenticidade de um contato.

O que mudou na prática

Entre 2024 e 2025, o volume de conteúdos falsos criados com inteligência artificial mais que triplicou no Brasil, com um aumento de 308%. No mesmo período, fraudes envolvendo deepfakes — vídeos ou áudios gerados artificialmente — cresceram 148%.

Na prática, isso se traduz em abordagens como:

  • Clonagem de voz: ferramentas de IA conseguem reproduzir a voz de uma pessoa a partir de amostras curtas, permitindo ligações telefônicas que simulam a fala do advogado real
  • Vídeos manipulados: imagens e vídeos gerados artificialmente podem ser usados para simular videochamadas ou criar perfis falsos em redes sociais
  • Documentos fabricados: geradores de texto e imagem produzem documentos com aparência profissional — procurações, contratos, petições — que podem ser difíceis de distinguir dos originais

Por que os métodos tradicionais já não bastam

Historicamente, a verificação de identidade dependia de elementos visuais e auditivos: reconhecer o rosto, a voz ou a assinatura de alguém. Com a capacidade atual da IA de reproduzir esses elementos, confiar apenas na aparência de um contato deixou de ser suficiente.

Um número de inscrição da OAB é público. Uma foto de perfil pode ser copiada. Um documento pode ser fabricado. Nenhum desses elementos, isoladamente, confirma que a pessoa com quem você está falando é de fato quem diz ser.

A importância da verificação ativa

A verificação ativa é aquela que exige uma confirmação em tempo real da pessoa cuja identidade está sendo verificada. Em vez de apenas consultar informações estáticas (nome, número de inscrição, foto), ela estabelece um canal direto entre o cidadão e o profissional.

Esse modelo é mais resistente a fraudes baseadas em IA porque:

  • Depende de uma ação do advogado no momento da verificação
  • Não se baseia em elementos que podem ser replicados artificialmente
  • Cria um registro verificável da confirmação

Como o SeloAdv aborda essa questão

O SeloAdv combina a consulta ao Cadastro Nacional da Advocacia com um processo de verificação bidirecional. Quando um cidadão solicita a verificação, o advogado recebe uma notificação e confirma sua identidade por meio de um código único.

Esse processo não depende de reconhecimento visual ou auditivo. Ele confirma, por meio de um canal autenticado, que o titular da inscrição está ciente e de acordo com o contato.

Recomendações práticas

Diante do cenário atual, algumas orientações se tornam ainda mais relevantes:

  • Não confie exclusivamente em mensagens de voz ou vídeo para confirmar identidades
  • Solicite a verificação de identidade por meios independentes antes de compartilhar informações ou realizar pagamentos
  • Consulte a inscrição do profissional em fontes oficiais como o CNA ou o SeloAdv
  • Mantenha registros de todos os contatos para referência futura